Vamos pintar tudo de branco e cinza, pois precisamos esquecer nossas falhas e palavras. E se por acaso os fantasmas voltarem – e nós sabemos que eles o irão – vamos sair daqui, mudar de cidade. Não vou me render porque um dia prometemos que tudo seria eterno, que nos pertencíamos um a outro. Meu amor, tudo no nosso passado está intocado, os livros no quarto, os copos na mesa, não há o que temer. Vamos tornar o que passou em monocromático, como um filme mudo e se for muito difícil – e infelizmente às vezes o é – iremos fechar nossos olhos e rezar.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Creio;
Por favor, não posso mais iluminar sua escuridão, caso contrário não terei mais nenhuma fagulha para ignizar meu fogo, então guarda dentro de si seus dragões porque já dei tudo de mim.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Creio;
Querido Novembro, desculpe por renegá-lo, mas você está me custando bastante caro. Gostaria de lhe informar de antemão que você está sendo uma droga e vivencia-lo está sendo uma das piores experiencias possíveis. Imputa-lo tal descaso deriva da sua total inércia quanto a melhoria de minha vida, ou seja, Novembro: dá para mover seu traseiro e fazer algo legal para mim? Muito grata desde já.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Combustão;
Então eu coloquei fogo em todas as fotos na parede, porque nos colocar sobre a flama me fez ver o quanto dói queimar viva, já que a cada cinza eu sentia meu corpo arder. Por favor, nos torne em brasas para que essa fogueira crepite com todo o nosso passado antes que eu mesma entre em auto combustão. Nesta ignição, no qual todos os juramentos são pólvora, eu gritei seu nome enquanto seus lábios estavam em pirofagia, engolindo o incêndio ao nosso redor. Vamos acabar assim? Excitando cada limite dos próprios sentidos em Sati? Mas nossa pira não irá comportar tantas chamas de âmbar, querido. Inflamaremos o inflamável na nossa torre afogueada porque foram tantos momentos que precisam ser ateados, então apenas deixe o fulgor, porque ao menos estamos juntos até no fim.
foto by: creativ82
O Melhor;
Minha cabeça está sendo enforcada pelo o seu nó, como se suas palavras me sufocasse. Por favor, pode apertar mais essa corda, para que o impacto do meu corpo contra a gravidade ao menos quebre meu pescoço depois da queda? Ou você prefere assistir a um espetáculo? Se isto é seu melhor, então não há motivo para manter esse Coliseu, pois não sou um gladiador para enfrentar uma fera por dia; não posso te fornecer show algum para entreter sua população egocêntrica de você. Então eu desisto. Desisto de tentar ser algo além do que realmente posso ser; desisto de ser benevolente quando não há bondade dentro de mim, só escuridão. E se desistir é falhar, então que o seja, já estou sendo enforcada de qualquer forma.
Preciso curar mil doenças antes de poder tentar amar você. Sou por acaso Madre Teresa de Calcutá? Não consigo nem sanar minhas próprias feridas para te fornecer algum acalento para sua lepra. É como minhas palavras fossem adagas sob sua carne – então eu sou tua doença? O bacilo que te corrói? Mas, este é o melhor que posso fazer, como ser humano imperfeito; como mulher egoísta; como ser possesivo. Se sou a vilã, então o que é você? Minha kriptonita? Porque eu sou menos do que posso ser quando estou com você. Preciso confessar: nada disto que cultivamos me fez bem, mas eu tento. Mesmo com minha cabeça a preço e vinte feras no meu pescoço, corto a ervas daninhas em minhas sentenças e com esta precariedade te dou um buque.
Desta tempestade colhemos uma esperança falha, na qual será utilizada para ampliar teu Coliseu. Cada tijolo terá um pouco de nossas mentiras e fracassos. Somos tolos, libertamos quimeras e minotauros, porque acreditávamos na cidade dourada. É isso que é vida? Quando temos que escolher entre o meu coração ou o seu? Você tem mais alguma confissão a fazer ou prefere manter essa carnificina? Porque não podemos esquecer que este é o melhor que podermos fazer.
foto by: Bixu
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